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  • Foto do escritorZack Magiezi

Curtas-Metragens

velha máquina de lavar.


Tomou coragem, aquilo que faz os pés andarem para encontrar o medo, iria fazer do jeito antigo, olho no olho, voz invadindo o silêncio.


Chega de amar passivamente, abotoou os botões e saiu pela cidade, amores guardados começam a pesar, como mobília antiga, como as velhas máquinas de lavar que tinham que ser carregadas por seis pessoas.


Desceu rapidamente as escadarias do metrô. Parou diante da catraca, sem dúvida era um daqueles momentos solenes e decisivos, coisa de filme mesmo, depois daquele ponto não haveria volta.


Colocou a mão no bolso de trás para pagar a passagem e percebeu que a carteira ficou na casa, provavelmente de molho em alguma das calças que estão dentro da velha máquina de lavar que trabalha sozinha no apartamento.





caneca de café.


Acordou, viu o vazio da cama, um cheiro de café pela casa, as roupas ainda estão ali no chão, estranho isso, o silêncio assobia uma canção, o peixe nada sorrindo no aquário, a continuidade é estranha nesse tempo tão descontinuo, ele não sabe se levanta ou finge que está dormindo e experimenta a presença de alguém com os outros sentidos quando ela voltar para a cama.


Cigarro foi aceso, um barulho da pia do banheiro, tosse, a porta aberta, agora fechada, sem adeus, sem despedida, descontinuidade, ponto final.


Ela partiu mais uma vez, ele deveria ter levantado.


O sonho fingiu ser realidade.

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2 comentários


Membro desconhecido
08 de set. de 2023

Zack, que delícia ler seus textos.

Fico encantada com os detalhes do cotidiano que você trás na escrita. Como sempre digo, você traduz um “mundo” interno que carrego em mim! Um beijo!!!


Selma da Porto

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Zack Magiezi
Zack Magiezi
14 de set. de 2023
Respondendo a

Querida, fico muito agradecido mesmo.

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